Que maternidade é essa?

Que maternidade é essa que tanto dizem ser a correta, que possui passos e mandamentos como se fosse uma bandeira e não tão somente o cuidado, o amor, a entrega?

Que maternidade é essa que nos cobram diariamente como se não pudéssemos e não fôssemos passíveis de erros mas tão somente de acertos incansáveis?

Aliás, incansável é a palavra. Entendem que mães perfeitas não se cansam, não têm olheiras, estão sempre dispostas a se sentar no chão e brincar por horas e horas e horas.

Que maternidade é essa onde não há estresse, tristeza e nem dor? O sorriso deve ser fixo, mesmo que amarelo e irreal.

Que maternidade é essa que caso você não siga o padrão exigido, você não pode ser considerada um exemplo de mãe a ser seguido?

Existe exemplo de mãe? Existe mãe perfeita? Existe padrão de maternidade?

A maternidade tem um ponto que une todas as mães: o amor pelo filho, o desejo que tudo dê certo e que ele seja muito feliz!

E qual o caminho para chegar até lá? Cada um usa o seu, de acordo com a criação, costumes, modo de pensar, filosofar e entender. Lendo Freud ou todos os Manuais de maternidade, mãe é aquela que dá o melhor de si, para ajudar o filho a encontrar o melhor dele!

Por diversas vezes cobrei e exigi de mim uma perfeição que só existe nos textos de psicólogos e nas palestras e manuais de maternidade! Fiquei angustiada, ansiosa e nervosa pelos erros que cometi e pelo medo de cometer outros tantos mais! Sim, nós mães erramos muito e só descobrimos que as nossas mães também erraram, quando olhamos para os nossos erros!

Descobri e entendi que deveria sempre tentar errar menos e encontrar o melhor caminho para resolver os impasses, mas que por todo o caminho eu cometeria erros. Errar é humano, mas e daí? Queremos ser mulher maravilha, heroínas das histórias dos nossos filhos, o exemplo que eles irão carregar através dos ensinamentos que passaremos para eles.

O desejo de ser uma perfeita e dar o exemplo a tantas de vocês que me leem e me escutam me gerou uma ansiedade que chegou a sufocar, até que eu entendesse que a melhor maneira de ajudar vocês e ser honesta comigo mesmo, é entender que somos reais!

Não nascemos sabendo criar um filho e educa-lo no caminho certo. Somos falhas, tolas, as vezes tão inseguras e outras com uma segurança prepotente. Nascemos preparadas para amar, amar sem medida, incondicionalmente, amor que chega a doer e apertar o peito por tamanha intensidade, amor maior do mundo.

A maternidade nos transforma, nos amadurece, coloca para fora o melhor e o pior de cada uma de nós, mas traz a vontade de mudar, de se libertar de quem você era e descobrir quem você se tornou depois desse turbilhão de acontecimentos. A maternidade nos torna MÃES.

Mães reais, guerreiras, inseguras, medrosas, corajosas e fortes, que enxergam nos pequenos gestos – grandes coisas, que enxergam a alma ao olhar os olhos, que entendem uma cabeça baixa, uma batida de porta, um olhar desviado. Mães que se tornam um pouco bruxas, porque adivinham pensamentos e descobrem planos! Mães dos nossos filhos, os melhores e mais preciosos que poderíamos ter, que foram feitos sob medida para o nosso amor sem medida!

Essa é a minha maternidade e a sua?

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Bela Aires

Desde que me tornei mãe passei a me interessar por todos os assuntos referentes à infância e maternidade. Compartilho aqui, com você!

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