Quando me pego vendo fotos das meninas pequenas e vejo o tamanho que já estão, sinto meu coração apertadinho e uma dor bate forte lá no fundo. Uma mistura de medo, tristeza, culpa e um amor excessivo, tomam conta de mim.

Mil questionamentos chegam na minha cabeça, como: será que estou no caminho certo? Será que estou sendo boa mãe? Será que minhas filhas me perdoarão pelos meus erros? Será que estaremos sempre juntas e próximas?

É incrível como existe um abismo entre como devemos agir, o que deveríamos fazer e o que conseguimos na realidade. É aquela típica comparação entre expectativa x realidade.

No meu caso, mãe-blogueira-empresária, a cobrança é algo de vem de dentro, e não de fora. Por mais presente que eu seja, penso quanto tempo perdi no celular, no trabalho, batendo papo, quantas brincadeiras deixei de brincar e quanto do meu tempo eu desperdicei sem que fosse gasto com as minhas maiores preciosidades, as minhas filhas.

Quando olhamos para nossos os filhos, não sabemos ao certo do que são ou não capazes. Por mais que saibamos as idades, sempre nos surpreendemos com as maravilhosas descobertas que eles nos demonstram. Ficamos orgulhosos, bobos, mas a independência deles nos incomoda.

O tempo tem passado depressa demais por aqui e a percepção de que daqui a pouco não serei mais tão requisitada, chega a doer. Parece que vem um sofrimento prévio. Será que todo mundo pensa um pouco assim?

Vejo tantos pais querendo se livrar das crianças, que não querem ficar com as crianças no tempo livre de ambos. Penso que daqui a pouco sentirão saudades dos tempos que nós podemos guiar os passos e escolher os lugares onde as levaremos, e elas querem e gostam de nos acompanhar. Um tempo em que nós ensinamos e que elas querem nos ouvir e aprender.

Vivemos tempos de crise, de estresse, de vida corrida, trânsito, muito trabalho. Vivemos tempos em que a infância dos nossos filhos passa cada vez mais rápido e não volta mais. A crise passa, o trânsito nunca melhorará o suficiente, o celular pode esperar e a correria da vida tem que ter o seu momento oportuno na agenda. Os dias passam, as crianças crescem e daqui a pouco, não teremos como recuperar ou aproveitar o tempo que estamos perdendo hoje.

Por hoje: beije, abrace, aperte, brinque, assista um filme, passeie e escute a sua criança. Isso também vale para essa pessoa corrida que vos fala.

Não existem pais perfeitos, mas existem pais que buscam serem melhores a cada dia. Podemos começar?

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Bela Aires

Desde que me tornei mãe passei a me interessar por todos os assuntos referentes à infância e maternidade. Compartilho aqui, com você!

Um comentário

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  1. Mariana

    Também tenho tanto medo daquele momento em que o Felipe não precisará de mim pra tudo, e que não vai me querer por perto o tempo todo, coisa de mãe mesmo, que reclama do trabalho mas que nunca quer que esse trabalho acabe. Adorei o texto 💙

    0

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