Fatos, atos, ações, cheiros, trejeitos, conversas, barulhos, música, dança, comida, sabores, cafuné, gritos, cores, escuridão, chuva, sol, frio, calor… Tudo isso e várias outras coisas marcam uma infância.

Não somos capazes de mensurar o que as crianças guardam de lembranças, o que entra ou não na bagagem que carregarão por toda a vida.

Essa semana minhas filhas responderam para pessoas estranhas ao convívio social delas, algumas perguntas sobre mim e nossas histórias e vivências.

Confesso que fiquei tensa! Nunca sabemos qual a imagem a nossa criança tem da gente, afinal, ela nunca vai se abrir para você e te contar o que acha de você, mesmo sendo tão ligadas. Acredite: essas informações elas só passam para outras pessoas!

O que eu queria contar foi que o que me chamou mais a atenção, foi de uma ação, tão natural e comum pra mim, ter sido tão importante e falada com tanto carinho pela Juju, minha caçula.

Perguntaram por que eu era especial e ela respondeu: porque quando eu estou com frio e não estou de blusa, ela me esquenta com um abraço.

Dentre outras declarações, essa me deixou boquiaberta e emocionada, porque nunca pensei para fazer isso e foi então que resolvi escrever para vocês!

Por mais automática que seja a nossa atitude, seguindo a intuição e o amor, as crianças sentem toda a preciosidade dos atos e reações que temos e isso reflete diretamente nas atitudes dela, para o bem ou não!

Fato é, que as crianças refletem o que vivem. Veja a opinião de alguns pesquisadores e psicólogos, nesse sentido:

Drouet (1995) constata que o relacionamento entre pais e filhos depende muito do clima emocional que se estabelece em um lar e que para se obter um bom clima emocional é preciso que haja harmonia do casal e tratamento igual dispensado a todos os filhos.

Para Mussen (1970) e outros, a influência do lar é sumamente importante para o crescimento emocional da criança, dada a importância das primeiras experiências. Se estas forem saudáveis, a criança terá segurança , fará uma avaliação realista do seu valor, de suas forças e de suas limitações. Aceitará a si mesma pelo que é, e estando livre de angústia, poderá empregar construtivamente suas energias a fim de solucionar problemas.

Mouly (1970) atribui à primeira infância, a tarefa indiscutível de criação da segurança emocional. Enfatiza que a criança precisa ser educada num ambiente emocionalmente estável e consistente, no qual tenha experiência de aceitação e amor incondicionais. Sob tais condições, pode exprimir seus sentimentos sem medo e sem culpa, de forma que não existe necessidade de fuga, repressão, hostilidade ou ressentimento. Quanto mais jovem a criança, maior sua necessidade de segurança. O autor relata que se verificaram diferenças nítidas de personalidade, ligadas ao tratamento emocional recebido durante a primeira infância. Acredita que o tratamento afetuoso dos nenês conduza ao desenvolvimento de uma personalidade desembaraçada, generosa e confiante, enquanto as crianças criadas na atmosfera fria de orfanatos são, freqüentemente, frias e incapazes de ligações emocionais intensas.

Por isso, assim como me surpreendi com tamanha importância dos meus atos, chamo também a sua atenção! Que possamos transmitir às nossas crianças, sentimentos que as deixem seguras e que se sintam amadas e confiantes.

 

fonte: http://www.cefac.br/library/teses/ab197be20bb61cc49ca2e591c0171417.pdf

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Bela Aires

Desde que me tornei mãe passei a me interessar por todos os assuntos referentes à infância e maternidade. Compartilho aqui, com você!

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