Essa semana pensei em gravar um vídeo falando sobre a alegria do carnaval e questionando se isso era real ou porque não se estendia por todo o ano. Ou o que fazia com que as pessoas saíssem às ruas para o Carnaval, mas não para lutar por seus direitos, ou por melhores condições de vida! Enfim! Fiquei filosofando sozinha! Até que recebi esse texto da Psicóloga Elaine Ribeiro!

Por que ser feliz apenas no carnaval?

*Por Elaine Ribeiro
Carnaval: tempo de diversão, de folia, e para muitos, dias de extravasar e de colocar todas suas energias nestes 4 ou 5 dias de comemorações. Muitos preparam-se o ano todo para o Carnaval. Roupas, viagens, blocos carnavalescos e todo o aparato do marketing que leva o consumo para esta época do ano.

É uma festa tradicional, que movimenta milhões em recursos para a economia do Brasil. Para tantos outros, tempo apenas para descansar e de buscar totalmente o contrário do que muitos desejam: a tranquilidade.

Vivemos um tempo onde tudo sugere uma urgência e uma necessidade de exposição e intensidade. As redes sociais estão aí e como uma vitrine, expõe tudo e todos que nela se colocam, ou mesmo aqueles que não se colocaram e são alvos daqueles que tudo fotografam ou filmam.

A reflexão para este tempo é: será que a felicidade só mora nestes 5 dias do ano? Será que ao final de tanta intensidade e entrega, você se sente completo, ou acaba estes dias com a sensação de ter exagerado na dose? Claro que a liberdade e a capacidade de reflexão pertence a cada um. Porém, é importante pensar quais são as consequências no pós-carnaval.

As fantasias assumidas nesta época podem envolver as pessoas com o evento. É como se fosse um tempo de liberdade e de rituais como forma encontrada pela sociedade de esquecer o mundo real e fixar-se num local onde a imaginação impera. É como se uma necessidade seja imposta e mergulhada nas brincadeiras, na sensualidade, no prazer, e num estado de alegria.

Mas, por estarmos em sociedade, um dos aspectos a serem avaliados é a pressão que se faz sobre aqueles que não gostam destas comemorações e para eles é sugerido que precisem estar ali, felizes e foliões, com máscaras ou vestimentas típicas, bebendo muito ou fazendo tudo o que é possível em 5 dias.

A atenção que se deve dar então é: por que agir assim? Por que preciso ir ao encontro do que a massa quer e me envolver indiscriminadamente com Carnaval? Se pudéssemos olhar a fundo o que a festa representa, ela vai muito além dos 5 dias de folia.

Comportamentos tipicamente privados, são expressos através das fantasias, máscaras e festa. Aquilo que é vergonhoso, que nos causa medo ou desconforto, pelo contexto, e pela situação, é favorecido no Carnaval.

Vale uma reflexão para que aquilo que é momentâneo não provoque depois o sofrimento e o arrependimento. Para que estejamos atentos àquilo que não condiz com o que somos ou ainda possa ser uma pressão desnecessária do grupo sobre o nosso comportamento. Não deixe de ser quem você é para ser conduzido pela “levada do bloco”.

*Elaine Ribeiro é psicóloga clínica e organizacional da Fundação João Paulo II / Canção Nova.
www.elaineribeiropsicologia.com.br

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