Filhos do divórcio

Não vivi o divórcio na minha vida, nem como filha e nem como mãe, mas conheço inúmeros casos, convivo com adultos e crianças que passaram pelo divórcio de seu casamento ou pelo divórcio de seus pais e uma coisa me chama muito atenção: alguns lamentam por toda a vida o divórcio e separação dos pais, outros dizem que a separação foi melhor do que conviver com as brigas intermitentes do casal, mas o fato é que a grande maioria lembra desse acontecimento como um marco triste, e com alguns traumas que carregam por algum tempo, se não, por toda a vida.

Ao falar de fora, e com muitos relatos e observação, sinto e me coloco no lugar das crianças que passam pela percepção de uma separação. Como mãe e mulher, também me coloco no lugar de uma pessoa que está descontente com uma relação e deseja começar a vida outra vez, e se vê dividida, por pensar no sofrimento que isso pode causar à todos à sua volta ou de uma pessoa que não quer o divórcio, mas não vê escolha, já que o outro escolheu, definiu e impôs a situação do fim do relacionamento.

Penso que uma separação deve ser dolorosa demais para todos, por mais que as vezes seja a solução para uma vida nova, com menos conflitos e paz para todos os envolvidos. Mas prefiro me ater aos sentimentos das crianças.

Quando os pais se separam, não deixam de ser pais daquela criança! Não podem perder o interesse por ela, porque perderam o interesse pelo cônjuge – ao contrário! Por maior que seja a dor de um casamento que não deu certo, pensar que a maternidade e a paternidade deram certo, pode ser o caminho para não deixar de lado o que realmente deu certo naquela relação: um filho – o bem mais precioso que uma relação pode nos dar!

As crianças a princípio ficam arredias e ansiosas, tentando descobrir como será daqui pra frente. Na verdade, os pais também ainda estão tentando se reencontrar, entender e colocar as coisas em ordem, na cabeça e no coração. Acontece que as crianças ainda não sabem que uma hora tudo vai passar e as coisas entrarão nos eixos, voltarão para uma rotina, ao mesmo tempo que possuem grande capacidade de readaptação, quando recebem amor e segurança do amor.

Por isso, resolvi escrever para contar o que descobri, conversando com tantas pessoas que viveram essa situação: não é o divórcio que traumatiza as crianças, mas a distância, a insegurança e as consequências que vem depois!

Se você é pai ou mãe, já passou ou está passando por isso, escute e converse com a sua criança. Explique e coloque-se no seu lugar. Não se distancie, não o use como moeda de troca, não use a sua criança para se vingar ou atingir o pai ou a mãe, não faça alienação parental.

Não marque de buscar se não for buscar, não marque de entregar em um horário e vá em outro, não esqueça dos momentos incríveis e do amor que sentiu quando ouviu aquele primeiro choro, ouviu as primeiras palavras, viu os primeiros passos.

Lembre-se que a pensão é para pagar as despesas daquela criança e garantir a ela o conforto financeiro que tinha antes de tudo acontecer, e evitar ao máximo que ela sinta ainda mais bruscamente a separação e todas as mudanças que já chegaram sem avisar e sem que ela escolhesse ou opinasse.

A linha entre o que atinge o ex cônjuge e a criança é muito tênue e o que eu penso é que buscar a paz e ser justo, é a melhor das escolhas, por mais difícil que isso possa parecer e por mais que esteja difícil passar essa fase.

Conheço famílias incríveis, onde o divórcio foi um detalhe, porque eles encararam como uma fase e as crianças continuaram sendo a prioridade. Refizeram suas vidas sem deixar de lado o que já estava por aqui antes de todas as mudanças! E isso não é fácil de encontrar e nem de fazer, eu compreendo, mas é SUPER possível.

Para tentar te ajudar peço que escreva a ordem do que é mais precioso e importante para você. Será que atingir o outro vai ser mais importante e aparecerá na frente da sua criança e do amor que os une?

Caso precise de ajuda e observe que a sua criança também precisa, não hesite em pedir essa ajuda e procure um profissional!

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Bela Aires

Desde que me tornei mãe passei a me interessar por todos os assuntos referentes à infância e maternidade. Compartilho aqui, com você!

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