Simone Sanaiotte (*)

Os educadores têm sido bombardeados com conceitos de neurociência em benefício da educação. São milhares de pesquisas, artigos, trabalhos científicos, palestras e workshops disponíveis on-line e off-line. Os avanços e descobertas na área da neurociência relacionados ao processo de aprendizagem são certamente uma revolução para o meio educacional.

Apesar das inúmeras referências disponíveis, ainda é escasso um conteúdo que auxilie a prática docente e torne a rotina na sala de aula mais prática e produtiva. Nos anos 1980, o Dr. Spencer Kagan desenvolveu o conceito de Aprendizagem Cooperativa, apresentando Estruturas que permitem aos alunos trabalharem em conjunto, serem mais disciplinados, gostarem mais da escola e terem melhores resultados acadêmicos.

Esse conceito já levava em consideração o funcionamento do cérebro e as vantagens de unir a maneira de ensinar com a maneira que o cérebro aprende melhor. Após anos de implementação da Aprendizagem Cooperativa em escolas ao redor do mundo, fez-se necessário apresentar os princípios que são a base para a o Ensino e a Aprendizagem Baseada no Cérebro.

Princípio 1: Nutrição

É preciso nutrir o cérebro! Para um cérebro bem nutrido não basta uma alimentação balanceada e hidratação. Isso é essencial, porém precisamos ir além e garantir que os cérebros dos alunos recebam glicose e oxigênio suficientes para que eles possam permanecer alertas e sejam capazes de reter informações e gerar conhecimento. Esses nutrientes só chegam ao cérebro pela circulação sanguínea, estimulados por movimentos e interação entre os colegas. Faça atividades em que os alunos tenham que caminhar e conversar com seus pares. O movimento ativa a circulação sanguínea e o interagir com outra pessoa ativa áreas do cérebro que o mantém mais alerta.

Princípio 2: Segurança

Torne sua sala uma comunidade! Sentimo-nos seguros quando estamos com as pessoas que conhecemos. Normalmente esperamos que os alunos formem seus grupos de amizades por afinidades e os obrigamos a fazerem trabalhos em grupo somente com objetivo acadêmico. Esse tipo de abordagem não promove grupos de confiança e pode até mesmo gerar ou aumentar o bullying quando um aluno faz parte de um grupo no qual não é bem aceito. Pelo menos duas vezes por semana, promova atividades nas quais os alunos tenham que trocar informações pessoais e trabalhar a empatia. Em pouco tempo, será fácil perceber que a interação entre todos os alunos da sala acontecerá com mais frequência e terá melhor qualidade.

Princípio 3: Sociabilidade.

O ser humano é um ser social! Estudamos Vygotsky por anos a fio e acabamos cometendo o grande erro de acreditar que uma aula produtiva é uma aula em que os alunos estão em silêncio. Nossos alunos vão para escola preocupados se vão encontrar o colega preferido, se o material escolar é parecido e aceito pelos outros ou se o corte ou penteado de cabelo está dentro dos padrões estabelecidos pelos diferentes grupos a que pertencem. Utilize o princípio da sociabilidade. Promova situações propícias à maior interação dos alunos, para que expressem seus conhecimentos e possam dar opiniões sobre os conteúdos que estão sendo abordados na aula.

Princípio 4: Emoção

Tudo que é seguido por emoção é mais lembrado! Lembramo-nos do cheiro do bolo da avó, da música que estava tocando quando algo importante aconteceu em nossas vidas; colocamos um sorriso no rosto ao lembrar de um acontecimento marcante. O Dr. Spencer Kagan reuniu diversos estudos e comprovou que tudo o que envolve a emoção positiva tem o poder de aumentar a criatividade, a percepção e habilidades de raciocínio. Promova situações em que os alunos se divirtam e logo após, trabalhe o conteúdo que necessita ser memorizado. A melhora no desempenho dos alunos será notada rapidamente ao utilizar esta técnica com frequência.

Princípio 5: Atenção

A atenção melhora a retenção! Quando nossos alunos estão distraídos e com as mentes vagando enquanto explicamos, eles têm pouca chance de conseguir assimilar e fixar os conhecimentos e habilidades.  Ao notar que a sala ‘está cansada’, devemos promover primeiro a interação entre os alunos e focar nos objetivos principais da aula durante e logo após essas interações. O cérebro só está atento enquanto está oxigenado.

Princípio 6: Estímulo.

O cérebro precisa de estímulos para atuar no seu potencial máximo! Muitas vezes palestramos por tempo demais e esperamos que os alunos continuem prestando atenção e ganhando conhecimento. O tempo de concentração do cérebro não ultrapassa dez minutos em alunos do Ensino Fundamental, por exemplo. Se considerarmos a Educação Infantil, esse tempo diminui para a média de dois minutos. Trabalhar estímulos como a variação de atividades e associar palavras a gestos melhora a retenção das informações, auxiliando os alunos a memorizarem melhor.

Todos esses princípios já são utilizados na metodologia da Aprendizagem Sistêmica, por meio das diversas Estruturas que os professores podem aplicar em sala de aula. Os estudos sobre as técnicas de Ensino Baseado no Funcionamento do Cérebro estão cada vez mais complexos e formações profissionais que auxiliam o professor a aplicar esses conhecimentos de forma prática estão finalmente disponíveis.

Conheça mais sobre Aprendizagem Sistêmica e Ensino Baseado no Cérebro através dos artigos do portal Planneta Educação e dos sites www.planneta.com.br e www.aprendizagemsistemica.com.br.

 

*Simone Sanaiotte é gerente de Parcerias e Soluções na empresa Planneta, desenvolvendo soluções educacionais integradas à tecnologia. Licenciada em Letras e especialista em Língua e Literatura Inglesa e Norte-Americana, foi docente na Educação Básica por mais de dez anos. Palestrante e formadora de professores, com certificação de formadora internacional Kagan em “Cooperative Learning” e “Brain Based Learning” e MBA em Marketing Estratégico pela Fundação Getúlio Vargas.

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