Nos meus tempos de criança e adolescência via meus pais falando de pessoas que tinham perdido a vida fazendo “roleta russa”. Era uma brincadeira suicida, como temos presenciado hoje, em tempos de Desafio da Baleia Azul.

A cada dia mais pais têm descoberto que os filhos estavam envolvidos ou já participando ativamente desses grupos mortais.

Mas como isso pode acontecer embaixo do nosso nariz? Como que os pais não viram isso? Que liberdade e independência é essa dada a essas crianças e adolescentes de acordarem e até saírem de casa de madrugada, de ligar a tv do quarto quando todos já estão dormindo?

Não julgo os pais que passaram ou estão passando por isso. Nem sempre conseguimos identificar que nossos filhos estão com problemas ou pedindo socorro. Exatamente pela adolescência ser um período mais “dramático” e com tantos hormônios, as vezes identificamos esses pedidos de socorro como drama da idade, o que nem sempre é verdade.

Diante da tristeza de tantos tenho procurado aprender muitas lições. Algumas delas, gostaria de compartilhar com você:

  1. Observar um filho vai além de perguntar: “Como foi de escola hoje?”. É se interessar, se fazer presente, olhar cadernos, agendas. Precisamos lembrar que filhos menores de idade estão em formação e temos a obrigação de instruí-los e de zelarmos pela integridade deles, mesmo com todas as dificuldades que possamos enfrentar;
  2. Saiba quem são os amigos e se o seu filho tem amigos. Procure conhecê-los, incentive programas onde você esteja presente para saber com quem estão envolvidos;
  3. Observe qualquer mudança de comportamento. Por mais que tentem disfarçar, a voz pode ficar mais trêmula, os olhos tristes, a postura diferente, muitos pequenos detalhes fazem a diferença na observação;
  4. Permita e dê liberdade do seu filho se abrir e conversar com você. Somos mais que amigos dos nossos filhos, somos pais, somos a família. Acredito que somos as pessoas que devemos amá-los mais que qualquer outra e ajudá-lo também. Por mais desgastada que possa estar essa relação, estenda a mão e tente se colocar no lugar dele;
  5. Não subestime ou diminua os sentimentos e sofrimento do seu filho. Cada um sabe onde o “calo” aperta. Não sabemos a batida do coração do outro e o que pode te atingir nem sempre atinge o outro. Somos todos diferentes;
  6. A escola não funciona sozinha, sem a sua ajuda. Por mais atentos que sejam os professores, eles podem não perceber algo que nós, pais, também não percebemos em casa. A escola ensina, mas aos pais cabe educar e sinalizar, ou pedir ajuda, quando houver necessidade.
  7. Conte suas histórias para o seu filho, demonstre sua sensibilidade.
  8. Acompanhe as redes sociais, os programas de Tv, o acesso à internet e, se preciso for, fiscalize. Isso não é invasão de privacidade, é cautela, cuidado. Isso pode salvar a vida dele.
  9. Fortaleça a autoestima e o emocional do seu filho e se achar que precisa de ajuda para isso, não hesite em procurar um profissional;
  10. Evite acusações e agressividade mesmo que o caso tenha saído do seu controle. Tente se acalmar e abraçar a causa. Repulsa, raiva, e agressividade vai piorar qualquer quadro. Procure ajuda de um profissional.
  11. Tenha conversas abertas com seu filho. O ideal é que ele saiba o que você acha que ele precisa saber por você, da forma certa. Se não falarmos para eles o que eles precisam saber, podem aprender de forma totalmente torta ou descabida, fora de casa.
  12. Ensine seu filho a verbalizar o que sente e não desfaça dos seus sentimentos. Os problemas deles são proporcionais ao tamanho!
  13. Abrace, convide para sair, passe um tempo de qualidade com seu filho, mesmo que não tenha todo o tempo que gostaria. Tenha um tempo dedicado a ele, onde possam trocar, conversar, se conhecer, observar e construir memórias.

Não há uma ciência exata quando tratamos de seres humanos, mas alguns cuidados podem ajudar muito a estarmos e nos sentirmos mais perto do que temos de mais precioso, que são os nossos filhos.

COO – CONVERSAR, ORIENTAR E OBSERVAR – são fundamentais!

Quanto mais próximos e cientes da vivências das nossas crianças, mais seguros eles estarão. Proteja e participe da vida do seu filho, isso é uma prova de amor.

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